As emocionantes aventuras de um sysadmin linux na procura pelo uptime perfeito!

Caveira Raimundo, outra vez

Posted: abril 22nd, 2010 | Author: coredump | Filed under: Pessoal | Tags: ,

Recebi este email agora, e achei que seria de bom tom reproduzí-lo aqui no blog integralmente. Desde que fiz o post sobre a música do Caveira Raimundo (também conhecida como Coveiro Raimundo ou Raimundo o Coveiro), recebi vários comentários e aparentemente o email abaixo corrobora a informção sobre a música ter sido apresentada num festival de música em Brasília. Parece sólido.

Olá José,
Acabei de ler o texto que você escreveu perguntando sobre a origem da música “Raimundo, O coveiro”… em 13 de agosto de 2008…

Bom, você pode acreditar ou não…
Mas quem compôs esta música foi meu tio Aureo Delábio Ferraz, que faleceu no ano de 1984…
Meu tio apresentou esta música num festival de música na UnB, na época que ele era estudante aqui em Brasília, desde então a música ficou conhecida… Você pode ver que ele se formou na UnB em Engenharia Civil, coloca o nome dele no google que sai…
Infelizmente é a unica citação dele no google.
Meu tio faleceu quando era muito jovem num acidente de carro e em uma época que não havia internet, assim a música ficou na memória de muitos, mas o nome dele e a banda não… Inclusive várias pessoas plagiaram a música e disseram que a música era dos mesmos..
Eu não conheci meu tio, nasci em 1987, mas ouço esta música desde que era muito pequena, assim como outras que meu tio fez (Meleca no almoço, meleca no jantar, meleca tá virando prato popular….)…
Hoje, no aniversário de Brasília, acho que devo este favor ao meu querido tio…

Então…. A letra que você colocou no seu texto é uma versão plagiada, a versão original é esta…

Letra original
Raimundo Coveiro

Era um coveiro com cara de defunto
Era um coveiro que se chamava Raimundo
Raimundo, Raimundo, levanta vagabundo
Raimundo, Raimundo, chegou mais um defunto
Até as caveira já o conheciam
Até as caveira já diziam todo dia
Raimundo, Raimundo, levanta vagabundo
Raimundo, Raimundo, chegou mais um defunto
mas um belo dia Raimundo adoeceu
E de repente Raimundo morreu
Raimundo, Raimundo, bem vindo ao nosso mundo
Raimundo, Raimundo, vem pr’esse buraco fundo
E no cimitério Raimundo se enturmou
Pela sua vizinha Raimundo se apaixonou
Era uma caveira alta e desdentada
Pelo tal Raimundo ficou louca apaixonada
Raimundo, Raimundo, teu olhar é tão profundo
Raimundo, Raimundo, vem fundo vagabundo
E dona caveira que era uma gracinha
Com o tal Raimundo teve várias caveiras
Mamãe, mamãe, eu quero mamadeira…
Cala a bola não chateia não tenho peito sou caveira…
Era um coveiro…

Abraços de uma Sobrinha emocionada.

intel

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PKI: Indo de Gnomint para EJBCA

Posted: abril 1st, 2010 | Author: coredump | Filed under: Linux e Open Source, segurança | Tags: , , ,

Uma das coisas que eu sempre me preocupo em fazer ao chegar em um novo trabalho para lidar com infraestrutura é instalar uma série de serviços para ajudar na administração. Isso inclui wikis, monitoramento, um sistema de tickets de serviço, e por ai vai. Outra coisa é criar uma estrutura básica de PKI para emissão de certificados SSL para servidores e outros serviços.

Gerenciar uma Certificate Authority (Autoridade Certificadora ou CA) pode ser feito de várias formas, desde usando os comandos do openssl na mão, passando por utilizar as facilidades de PKI do Active Directory do Windows e algumas ferramentas gráficas como o Gnomint.

Até a semana passada eu estava realmente usando o Gnomint, mas tive uma série de problemas, principalmente com encoding e com um plano de utilizar essa PKI de forma mais ampla. O Gnomint é ótimo para gerenciar pequenas PKIs, mas quando você pensa em emitir milhares de certificados SSL, vocẽ precisa de algo mais parrudo.

Acabei lendo sobre o EJBCA, que é uma aplicação que roda em JBoss e tem uns usuários bem famosos (incluindo o SERASA, aqui no Brasil). O EJBCA foi então a escolha para gerência da PKI.

A instalação dele no Debian (Lenny) foi bem simples, basicamente porque o pacote JBoss do Debian atualmente não faz porra nenhuma, e você tem de baixar o mesmo do site do JBoss e instalar na mão (isso quer dizer descompactar para algum lugar, eu sugiro o /opt). Algumas coisas que eu fiz e podem ajudar:

  • Instalar o JDK6 e o ant via pacote do Debian mesmo: sun-java6-sdk e ant, o ant instala como ant-gcj mas funcionou certinho.
  • Baixar do site da Sun a JCE (Java Cryptography Extensions), e colocar os conteúdos do zip em /usr/lib/jvm/java-6-sun-1.6.0.12/jre/lib/security – isso é necessário para que o Java aceite algumas características mais pesadas em certificados, como senhas com mais de 7 caracteres.
  • Baixe o EJBCA e descompacte no /opt também. Eles não avisam, mas um monte de coisas precisa ser feita desse diretório, ou seja, não se pode simplesmente instalar e apagar, tem de guardar e fazer backup.
  • Configurar as variáveis JAVA_HOME e APPSRV_HOME (apontando para onde está o JBoss) no seu ambiente corretamente. Isso é uma mão na roda e evita que você rode a parada com uma jvm diferente da que você quer. Configure também as variáveis ANT_OPTS e JAVA_OPTS para incluir os parâmetros de memória, eu uso “-Xms128m -Xmx768m” em uma  VM de 1 GB de memória.
  • Se você vai usar poucos certificados, ou está instalando para testar, pode utilizar o banco de dados padrão que é em memória. Caso contrário, instale o postgresql-8.3 (ou mais atual).

Com isso você mata os pré-requisitos do EJBCA. De resto, o guia de instalação dele é bem certinho. Mas basicamente o que você tem de fazer é:

  • Dentro do diretório do EJBCA tem o diretório conf, onde você deve copiar o ejbca.properties.sample para ejbca.properties e configurar. Algumas coisas são bem avançadas como por exemplo guardar as chaves e certificados em dispositivos de hardware, mas no meu caso a maioria dos padrões serviu bem.
  • Leia o arquivo database.properties.sample e o documento howto databases que tem dentro do /doc do EJBCA. Lá tem os comandos para se criar o banco postgres mas basicamente você cria um usuário ejbca com uma senha qualquer, e um banco com este usuário sendo o owner.

O resto do guia é bem mastigado. Lembre-se que o login na interface administrativa só é feito via Certificado, então depois de instalado não perca o arquivo superadmin.p12 queé gerado na instalação e deve ser importado no seu browser para que se possa acessar a interface.

Dentro do diretório do EJBCA existem também documentos descrevendo a utilização de vários servidores de aplicação diferentes assim como outros bancos de dados.

A outra parte foi mais complicada. Eu tinha de pegar os certificados e as chaves privadas das minhas CAs internas do Gnomint e colocá-las no EJBCA. Seria simples, se o Gnomint exportasse o PKCS#12 direito, mas aparentemente ele faz alguma besteira no formato e o EJBCA dá um erro. A solução foi a seguinte, e pode ser utilizada para migração de várias outras formas de PKI para o EJBCA:

  • No Gnomint, exportei separadamente o certificado da minha Root CA para um arquivo e a chave privada da mesma para outro.
  • Usando o openssl, criei um arquivo PKCS#12 usando estes dois arquivos, com o seguinte comando:

sudo openssl pkcs12 -export -out rootca.p12 -inkey rootca.key -in rootca.pem -name privateKey

  • Isso ai cria um arquivo que o EJBCA alegremente importou como a minha nova RootCA, via interface gráfica, sem estresse.
  • Caso você, como eu, tenha de importar CAs subordinadas (sempre uma boa idéia), você tem de repetir o procedimento acima para cada uma (exportar chave e certificado de cada uma), mas tem uma pegadinha: no caso de CAs subordinadas, você tem de incluir no comando openssl a opção -certfile rootca.pem. Porquê disso, você deve perguntar. Porquê sem isso, a cadeia (chain) de certificados fica incorreta no PKCS#12 e quando a Sub CA for importada ela vai aparecer como auto-assinada, e não assinada pela sua Root CA (ou seja, sua cadeia vai ficar quebrada).
  • Eu tive de importar também alguns certificados já emitidos para servidores aqui. Isso não é extremamente necessário, mas se não for feito você vai ficar sem uma forma de revogar estes certificados pelo EJBCA futuramente. Existe uma ferramenta chamada bin/ejbca.sh do EJBCA que faz essa importação sem trauma.

Depois disso, só alegria. O EJBCA tem uma interface pública que fica disponível na porta 8080, onde são publicados as CRL (Certificate Revocation Lists) e também onde usuários podem submeter CSRs (Certificate Signing Request) para geração de novos certificados. A interface administrativa roda na porta 8443 e só pode ser acessada por quem tem o certificado correto instalado no browser, e cuida do resto da PKI.

PKIs são dados sensíveis. Você deve ter backups seguros das configurações e principalmente das keychains das suas CAs. Se você perde uma chave ou um certificado Raiz, você perde toda a segurança que ele propõe, e vai ter de re-emitir TODOS os seus certificados. Lembre-se de limitar o acesso a interface administrativa e a própria máquina, várias camadas de firewall são aconselhadas.

A minha PKI roda numa máquina virtualizada, mas eu não aconselho isso para qualquer lugar onde os certificados serão utilizados em funões críticas. Uma máquina virtualizada é altamente mais sucetível a ataques e a roubo de dados (afinal de contas, se roubar a imagem, rouba-se tudo).

O próximo passo é dar uma conferida na integração do EJBCA com LDAP, para ver como fica uma PKI realmente grande e integrada com outros sistemas.

intel

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